DIÁLOGOS CULTURAIS COM RAÍ

FOTO: Rafael Cusato

Raí durante os Diálogos Culturais na Praça

01/12/2008

Raí Oliveira fala de educação na Praça Victor Civita

Mais do que um atleta, Raí Oliveira tornou-se um educador. Idealizador da Fundação Gol de Letra e presidente da Associação Atletas pela Cidadania, o craque do futebol abraçou uma meta ousada: ajudar o governo federal a viabilizar 800 mil vagas para jovens aprendizes em empresas brasileiras até 2010, transformando a Lei do Aprendiz  - regulamentada em 2005 - em uma política pública para a juventude. Foi sobre esporte e educação que o ex-jogador falou no primeiro Diálogos Culturais do Meio-Dia realizado no palco da Praça Victor Civita.

Em um bate-papo com a jornalista Paola Gentile, de Nova Escola, Raí falou sobre as mais de 4500 crianças e adolescentes atendidos pela Fundação Gol de Letra nos últimos dez anos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Niterói. "Temos uma ex-aluna que fundou uma escola de teatro na comunidade dela e outros três ex-alunos que hoje fazem parte da companhia de Ivaldo Bertazzo. Foram mais de 4 mil famílias atendidas e hoje temos vários técnicos de esporte formados, uma rádio comunitária e outras ações que a própria comunidade vai criando", afirma.

Raí aproveitou para contar como os atletas da Associação Atletas pela Cidadania - nomes como Magic Paula, Hortência, Ana Moser, Kaká e Gustavo Borges - estão promovendo ações junto a grandes empresas para alavancar o Placar do Aprendiz, um marcador das vagas de emprego para os jovens brasileiros. "Os atletas estão usando a própria imagem para apresentar o projeto a empresas de diversos segmentos. A empresa não deve encarar como 'mais uma lei', mas como uma possibilidade de melhorar as condições de trabalho das gerações futuras", observa o ex-jogador. 

A Lei do Aprendiz determina que todas as empresas de médio e grande porte - com mais de 100 funcionários - aumentem seus quadros entre 5% e 15% para oferecer vagas a jovens aprendizes, com idades entre 14 e 24 anos. Todos os jovens atendidos por esta política devem conciliar turnos de trabalho e de estudo, seja no ensino regular ou em cursos profissionalizantes.  

Quando questionado por Paola sobre qual profissão prefere, a de atleta ou a de educador, Raí foi enfático: "ser educador é a profissão mais nobre que pode existir. O futebol é minha aptidão natural e foi meu destino. Tive grandes realizações no esporte, mas o que nós fazemos hoje é usar o esporte para educar", diz.

 

 



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